Sinto-me cansada.
Viver-te de forma intensa certamente liberta-me, mas o preço dessa exuberância, aos poucos apodera-se da minha vida aprisionando-me numa necessidade exagerada de viver o impossível.
Foste um porto colorido que por um fio me segurava e que através de mim devaneava aos céus as suas quimeras.
Eras um poço de vida, e envolvida sob o teu manto de estrelas, bebi de ti até me sentir debaixo de água.
Fizeste-me sentir em casa, confortável e segura.
Guardavas-me preocupações como quem guarda um segredo e no silêncio da noite dançava-mos até o Sol espreitar pela tua janela.
E assim me fui refugiando em ti e na tua complexa maneira de sentidos que com gentileza de uma brisa me arrastavas para onde desejavas.
Então fui-me deixando arrastar durante algum tempo e dado à particulariedade do amor pouco correspondido à razão, desencadeaste rotinas que exigiam de mim mais que o apetecido.
Assim acabei por tropeçar em ti e enrolada por entre poeiras aterrei num fosso de obrigações que come aos poucos o que resta da minha vontade de acreditar.
É verdade que me cansas, me róis e me dóis, mas antes cansada com um coração cheio, que leve por não ter coração.
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